Depois do lançamento de “Of Shadows”, Fabrizio Cammarata abre-se e fala sobre o seu novo trabalho e perspetivas para o futuro.

Foi quase há uma semana que Fabrizio Cammarata lançou o seu mais recente disco, intitulado “Of Shadows”. O artista já andou um pouco por toda a Europa a apresentar este novo trabalho e nós estivemos à conversa com ele sobre o seu mais recente álbum.

Palco das Artes: Em julho um EP, novembro do mesmo ano um disco, qual a razão para esta “evolução”, chamemos-lhe assim, num curto espaço de tempo?

Fabrizio Cammarata: Embora meu último álbum a solo remonta a 2011, nunca parei de escrever canções. A cada – digamos – dois meses eu perguntava-me se estava na hora de entrar no estúdio e arrancar com as gravações. E todas as vezes eu disse sempre que “não”, durante quase cinco anos. Evidentemente, faltava algo no meu caminho e hoje estou feliz por ter sido tão cauteloso. No ano passado, de repente, tudo mudou. Não sei se foi uma história de amor que terminou, ou uma viagem ao México onde um xamã afirmou conseguir ler as partes mais profundas da minha alma. Mas senti que tinha encontrado a “red line” que ligava tudo. De repente, senti que as canções faziam parte de um filme e que havia um objetivo. Foi quando eu saí com o conceito de “sombras”. Enquanto estava a gravar com amigos e a divertir-me com digressões por todo o mundo, descobri que não tinha feito nada para além de procurar dentro das minhas próprias sombras há anos.

PdA: Ouvindo e pelo título das faixas de “Of Shadows”, parece que nos estás a contar uma espécie de história. “Of Shadows” funciona como um resumo de um diário de uma paixão?

FC: É uma espécie de estudo. O título lembra os tratados antigos da filosofia natural, como as obras de Lucrecio, por exemplo. E isso foi basicamente o que eu fiz, depois que uma história de amor que não correu bem, tranquei-me dentro do meu “laboratório interno de alquimia”, aquele que todos nós temos dentro de nós, e comecei a examinar as partes mais obscuras da minha alma, procurando por alguma fórmula mágica.

PdA: Cada canção entrelaça com outra, quase como um jogo de luzes um tanto ou quanto sombrio. Sentes que a carreira de músico, de artista, também pode viver debaixo dessas luzes?

FC: Absolutamente. Mas eu costumo guardar os meus lados mais “sombrios” para minha música. Uso a música como uma ferramenta “psicomágica” para me libertar do mal, tal como fazem os xamãs. Na verdade, na minha vida quotidiana, sou uma pessoa muito solar e feliz, e um surfista apaixonado!

PdA: Já apresentaste este novo trabalho um pouco pela Europa, o povo português já foi ouvindo através das demais plataformas, qual tem sido a reação dos fãs?

FC: É incrível como parece que estou cada vez mais perto do meu objetivo: transformar meus espetáculos numa espécie de ritual, onde as pessoas vêem minha alma nua e minha busca pela auto-compreensão, especialmente a minha parte mais inconveniente. Através deste ritual, as pessoas refletem o seu próprio caminho para a autoconsciência, como uma espécie de catarse. Eu vi pessoas a chorar e a agradecerem-me … É o maior presente que posso ter.

PdA: Qual é marca que queres deixar no panorama musical?

FC: O meu é um projeto global, não deve ser nenhuma surpresa, até agora, que um siciliano adote uma pesquisa lírica em inglês. É um projeto que exige concentração, o que talvez não seja tão atualizado como esta Era sugere, mas confio na necessidade das pessoas de escapar de todo este barulho e faça uma pausa.

PdA: Quais as próximas datas de apresentação do disco?

FC: A nova digressão vai começar dentro de dias: Paris, Londres, Amesterdão e depois uma tournée por toda a Alemanha. Volto a casa para o Natal e, a partir de janeiro, parto em digressão por toda a Europa bem como alguns festivais na América do Norte na primavera. Portugal é um dos meus lugares favoritos na Europa e definitivamente está entre os melhores públicos que encontrei. Tão atencioso e generoso. Mal posso esperar para voltar, mas isso não acontecerá até fevereiro, acho eu. Estou a trabalhar nisso…

Entrevista: Mónica Ferreira

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