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“Endgame”: Ativista cubana em estreia mundial no Mosteiro de São Bento da Vitória

Endgame
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“Endgame”, de Tania Bruguera, integra a programação do Teatro Nacional São João  e estará em cena dias 20 e 21 de abrul no Mosteiro de São Bento da Vitória.

Habituada a utilizar a arte como ferramenta de reinvenção da linguagem de protesto, Tania Bruguera integra a programação do Teatro Nacional São João (TNSJ), a convite da bienal BoCA, com uma incursão em território teatral para “afrontar” a herança de um dos clássicos da dramaturgia contemporânea. Endgame, a partir da obra homónima de Samuel Beckett, é uma estreia mundial em coprodução com o TNSJ e reflete sobre as relações de poder que se estabelecem entre as personagens, distribuindo-as por atores profissionais e não-profissionais. O espetáculo estará em cena nos dias 20 e 21 de abril, no claustro do Mosteiro de São Bento da Vitória (MSBV).

Endgame, cujo título é inspirado na parte final de um jogo de xadrez, coloca em cena Hamm, um homem que, apesar de ser incapaz de se levantar e de ver, é um tirano e necessita da ajuda do seu escravo para conseguir viver. A peça faz assim o paralelismo com a figura do Rei que, sendo a peça mais importante do tabuleiro é, também, a mais vulnerável. No xadrez (e na obra de Beckett) é posto em evidência o facto de a morte ser a consequência inevitável da vida, sendo que as personagens/jogadores – apesar de, ao longo do jogo (leia-se vida) perceberem que vão perder – têm rituais repetitivos para chegar ao final.

A peça explora também a noção de uma “existência circular”, já que os inícios e finais estão interligados e o local da ação é algures entre a vida e a morte. Tania Bruguera reflete precisamente nesta questão, tendo construído – com a ajuda de um estúdio de arquitetos – uma gigantesca estrutura cilíndrica, em forma de espiral, habitada pelo público que assiste ao espetáculo de cima para baixo. Um “desencontro” da cenografia proposta por Samuel Beckett para apresentar uma circularidade que desconcerta.

Tania Burguera: candidata presidencial em Cuba?

Conhecida internacionalmente pelas suas provocatórias instalações e performances, Tania Bruguera assume-se uma “artivista” (junção da palavra ativista e arte). O trabalho da cubana aborda frequentemente a questão do poder e controlo e interroga e reinterpreta os eventos da história de Cuba, através de obras participativas que transformam os “espectadores” em “cidadãos”. Uma das mais recentes “performances” da artista é a sua candidatura às eleições cubanas de 2018, um ato “impossível” dado o contexto político.

Galardoada com quase duas dezenas de prémios internacionais, Tania Bruguera – que vive e trabalha em Havana, Nova Iorque e Cambridge – foi presa e libertada três vezes entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015 por ter organizado uma performance sobre liberdade de expressão na Plaza de la Revolución. Numa entrevista ao The Guardian, a cubana viria a afirmar que quanto mais a polícia secreta a tortura, melhor a sua arte se torna. Com uma carreira de mais de 25 anos a refletir sobre o efeito do poder político nas vidas dos indivíduos e grupos mais vulneráveis da sociedade, não será por acaso que Tania Bruguera terá escolhido esta peça de Samuel Beckett, escrita na atmosfera do pós-guerra (1957), trazendo para a cena o enigma da condição “desumana”.

Endgame é uma coprodução BoCA, Colectivo 84, Théâtre Nanterre-Amandiers/Festival d’Automne à Paris, Kunstenfestivaldesarts, International Summer Festival Kampnagel, Estudio Bruguera e TNSJ. O espetáculo é falado em língua inglesa, sem tradução em português, e pode ser visto em dois horários: às 15h00 e às 21h00. A peça é para maiores de 16 anos e, visto desenrolar-se no interior de uma estrutura metálica e fechada, sem lugares sentados, não é aconselhável a pessoas que sofram de síndrome vertiginoso e de claustrofobia, bem como pessoas de mobilidade reduzida. É aconselhado o uso de roupa e calçado informal. O preço dos bilhetes é de 10 euros. Após a estreia no Porto, a peça segue para o Kunstenfestivaldesarts (Bélgica), entre 16 e 21 de maio.

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