O NOS Alive 2017 fechou as portas do palco principal com a atuação dos Depeche Mode. As expetativas estavam bem lá no alto e a banda não soube acompanhar.

O último dia do NOS Alive conseguiu reunir várias gerações, muito por culpa dos Imagine Dragons e essencialmente dos Depeche Mode. O relógio marcava 22h15 quando Dave Gahan e a sua banda subiram ao Palco NOS depois de uma introdução. De casaco e colete que reluziam por todo o lado, deu início ao concerto com “Going Backwards”. Na verdade, estávamos prestes a entrar numa viagem que nos iria fazer voltar atrás no tempo.

Não havia imagens da atuação a passar nos ecrãs, apenas uma imagem estática com uma mistura de cores pelo que, muitos dos festivaleiros, não conseguiram ver a entrada em palco nem os primeiros momentos do esptáculo.

“Boa noite Lisboa”, diz-nos Gahan para minutos depois dar início a “Barrel of a Gun”, desta vez já sem o casaco. Gingando, dançando, deixando-se possuir por toda a melodia, Dave lá nos foi dando música e em “A Pain That I’m Used To” pediu para que o acompanhássemos e déssemos um pezinho de dança. Nesta altura o público cedeu, pensou que a partir daqui iria ser sempre a abrir e que do nada iria haver uma verdadeira explosão de energia contagiante que não ia deixar ninguém indiferente. Pois bem, a coisa não funcionou bem assim.

Com pausas entre temas, vídeos e mais vídeos projetados nos ecrãs gigantes colocados nas laterais do palco, um alinhamento descuidado para o ambiente do NOS Alive. Descuidado porquê? Porque parecia que estávamos algures num baile de finalistas e presos na parte do slow. A plateia começou a dispersar-se ao mesmo tempo que uns esperançosos se sentavam no chão à espera que esta máquina começasse a trabalhar à séria.

Em “World in my Eyes”, Gahan mostrou mais um pouco dos seus dotes de dançarino com piruetas atrás de piruetas e nós… e nós continuámos incrédulos, impávidos e  nada serenos. Fogo, mas isto são os mesmos Depeche Mode de há uns anos atrás? Pois parece que o estatuto que alcançaram lhes dá liberdade para fazerem o que bem entenderem e agarrar-nos não estava na sua “wishlist”.

Contudo, as primeiras filas estavam quase ao rubro com o espetáculo. Dançavam, cantavam uma ou outra canção mas, à medida que nos íamos afastando do palco, a energia ia-se dissipando e quase que deu para tirarmos uma boa soneca.

Mas nem tudo foi assim tão mau. “Judas” deixou Martin Gore com um sorriso de orelha a orelha a ver-nos ali a cantar com eles a capella ao mesmo tempo que  “Where’s the Revolution” e “Wrong” conseguiram agitar o público em geral. Apesar de não ser muito daquilo que se esperava, a verdade é que a música dos Depeche Mode não é algo feito ao acaso e que o uso e abuso de sintetizadores a la anos 80 continua atual e até nos consegue dar aquele impulso para se criar uma pista de dança.

Ainda não tínhamos cantado o suficiente ou pelo menos tanto quanto era esperado até rebentarem os primeiros acordes de “Enjoy The Silence”. Aqui, o Passeio Marítimo de Algés uniu-se e emprestou as suas vozes formando um coro exímio como já é habitual.

Para o encore ficaram guardadas as canções mais animadas como “Walking in My Shoes” ou “I Feel You” e o adeus foi feito ao som de “Personal Jesus” deixando de lado “Just Can’t Get Enough” que o público fartou-se de pedir e pedir, aos berros mas sem sucesso. As luzes apagaram e pronto, finito.

Os Depeche Mode ofereceram-nos um concerto morno quase como uma história de embalar. Só faltou mesmo o xixi cama.


Texto: Hugo Sousa
Fotografia: Arlindo Camacho | NOS Alive

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