Damien Rice esteve esta terça-feira na Casa da Música, cerca de um ano depois de ter atuado na Invicta no NOS Primavera Sound. Foi um concerto intimista, explosivo, com o irlandês mais próximo do público.

Poucos minutos depois da hora marcada, Damien Rice subiu ao palco da Sala Suggia da Casa da Música sozinho. Com as suas guitarras e demais instrumentos a circundá-lo, havia também uma mesa com uns copos, um candeeiro e umas garrafas de vinho. Um cenário bem montado, simples mas que já nos fazia antever que estávamos prestes a entrar noutra dimensão.

“Colour in Me” foi o motor de arranque deste espetáculo que contava com uma Casa da Música a rebentar pelas costuras. Verdade seja dita, a estrutura da sala, a acústica, o cenário e todo o jogo de luzes que envolveram o concerto conferiram um toque especial a esta atuação.

À medida que o espetáculo foi avançando, Damien fez algumas pausas para interagir com o público e contar algumas histórias caricatas, mostrando assim que este “one man show” tem um sentido de humor bastante apurado. Estes momentos de pausa, para além de o ajudar a recuperar o fôlego, ajudavam-nos a respirar.

Aqui não houve grande circo, grandes produções. Tudo simples, nu e cru, como ele. Durante todo o espetáculo foi-nos revelada a essência do músico a par e passo das exibições vocais e capacidade de fazer misturas e remisturas de vários instrumentos, tornando o concerto um tanto ou quanto explosivo.

A plateia sabia as letras de cor, cantavam-nas baixinho, numa espécie de sussurro que, tendo em conta o meio envolvente, dava-lhe um certo ar fantasmagórico. A dada altura o público começa a atirar canções e o espetáculo virou uma espécie de discos pedidos. Damien, simpático como é, fez a vontade a alguns dos fãs mais eufóricos e brindou-os com “Amie” e “Woman Like a Man”.

“It Takes a Lot to Know a Man”, sendo o final deste tema acompanhado com grandes aplausos de pé de toda a sala, fechou a primeira parte do concerto.

Minutos depois, Damien retorna ao palco e chama Gyda Valtysdottir, que tinha atuado antes do músico irlandês. Sentados juntos à tal mesinha com os copos, à medida que bebiam o vinho serviram-nos “Cheers Darlin” e do nada estávamos numa sala de estar, com amigos, a desfrutar de boa música e a beber um copo. É esse o poder das canções de Damien Rice: fazem-nos imaginar, fazem-nos viajar e sentir de uma forma estranha mas que se entranha em nós.

Para acabar, e como não podia deixar de ser, ouviu-se a afamada “The Blower’s Daughter”. Aplausos, gritos, gente eufórica e alguma até emocionada, despedem-se de Damien, esperançados, com um “até já”.

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