O crime? Um solo na Damaia. O culpado? Carlos Pereira. Sim, esse mesmo. Um preto muito alto, com dificuldades em dizer os “R” e que se dedica ao stand up comedy há cerca de três anos. Definido por Tiago Félix como “o Salvador Martinha dos PALOP”.

Frente a uma plateia de amigos e conhecidos, Carlos abriu o coração e partilhou connosco alguns momentos verdadeiramente hilariantes da sua vida. A começar pelo primo Givaldo que levou flyers de promoção de Culpado para todo o lado – incluindoo autocarro que a sua mãe – tia de Carlos – frequenta. Ao encontrar todos aqueles papéis com a fotografia do sobrinho, a tia nem pensou duas vezes: recolheu todos e levou-os para casa, para partilhar com a família.

Pretos, negros, brancos, caucasianos e afins– todos aplaudiram o Carlos. E não só. Aplaudiram o seu assumido medo de cães, a forma como diz a palavra “bifes”, a declaração de amor que um dia fez (com o total desconhecimento do protocolo em torno da palavra “amo-te”) e algumas das frases mais repetidas pelo seu avô.

É falso que o solo de Carlos Pereira se constitua como um verdadeiro solo. Em palco encontramos o Carlos e toda a sua história de vida. A família, as aventuras na faculdade e nos transportes públicos ou as tentativas falhadas em tirar a carta de condução. É caso para citar Aristóteles e dizer que o todo é maior do que a soma de todas as partes – assim foi o espectáculo de Carlos: um 1h40 de bom humor, com inteligência e toda uma vida com momentos altos e baixos, tal como a vida de muitos de nós.

Carlos Manuel não dança kizomba, nem entrou (ainda) na novela Única Mulher. Ainda assim, executa movimentos de dança contemporâneo-africana enquanto diz algumas das piadas que os seus mais fiéis seguidores conhecem do twitter ou do facebook, duas redes sociais onde é possível acompanhar o trabalho do comediante. Foi precisamente numa dessas redes que tivemos conhecimento do documentário Um Africano de Robustez Razoável, cujo trailer já pode ser visto aqui.

Não sabemos para onde vai o espectáculo Culpado, nem o próprio Carlos Pereira. Sabemos, sim, de onde veio, quais as suas origens e alguns retalhos do seu dia-a-dia. E que é definitivamente Culpado de termos passado uma noite divertida num local inesperado.

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