Está aqui!
Home > Música > Concertos > Cuca Roseta acolhe Coliseu do Porto no seu mundo

Cuca Roseta acolhe Coliseu do Porto no seu mundo

Cuca Roseta
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone

Cuca Roseta pisou pela primeira vez o palco do Coliseu do Porto este sábado, para um concerto diferente. Nesta que foi a sua estreia numa das mais nobres salas portuenses, assistiu-se a um espetáculo muito além do típico Fado, com muitas surpresas à mistura quer para nós, quer para a própria artista.

A noite de sábado vai ficar para sempre na memória, quer do público quer da própria Cuca Roseta, que veio ao Norte para nos presentear com “um concerto que nos leva numa viagem pelas várias expressões de arte de Cuca Roseta”, segundo se ouvi logo antes do espetáculo começar.

O concerto arrancou de uma forma diferente do habitual, com um “Bem-vindos ao mundo de Cuca Roseta”. Há artistas que gostam sempre de optar por uma introdução meramente instrumental e Cuca não foi exceção à regra mas com um pequeno grande pormenor: bailarinos. Isso mesmo. Enquanto os músicos dedilhavam “Além Terra” – de Mário Pacheco – Cuca dançou ao lado de outros bailarinos complementando assim o início do espetáculo.

“Rua do Capelão”, começou de uma forma exuberante com a fadista a cantar acapella e, se antes tinha viajado pelos braços dos bailarinos, embalou-nos com a sua voz. Assim que terminou este tema, não se coibiu de expressar a sua alegria por estar nesta “sala tão bela”.

Seguiu-se “Homem Português”, também de Mário Pacheco a quem Cuca agradece por o considerar um mestre e que tê-lo nesta noite é uma honra muito grande.

Ao contrário de outros artistas (assim como o restante espetáculo), a fadista é de poucas palavras e prefere expressar-se através das suas canções. Como tal, ficou-se apenas por ir revelando o nome das canções que ia cantando.

Em “Nos Teus Braços”, com letra de Vinicus de Moraes – um dos seus poetas favoritos – começou a pintar uma tela que estava em palco com um azulão, ao mesmo tempo que cantava. Seria esta a simbologia da noite de hoje para ela? Um dia escuro mas que ia ser alegrado pela sua consagração no Coliseu do Porto? Pois bem, a verdade é que o público estava todo em silêncio e o único barulho que fazia era no final de cada tema para aplaudir.

Em “Fado da Vaidade”, com letra de Florbela Espanca e música da sua autoria, Cuca Roseta proporcionou-nos um dos momentos mais mágicos da noite. Com uma interpretação exímia, acompanhada de um bailado que intensificou todo o cenário e expressou ainda melhor cada palavra que proferia.

Cuca Roseta não se limita só a cantar, como já pudemos ver. No tema que se seguiu, “Fado de Inverno”, sentou-se, pegou na viola e lá nos deu música. Com uma luz que incidia nela e só nela, transformando este momento exclusivo. Terminado esta canção, sai de palco e deixa-nos com uma “Guitarrada Taekwondo”. Entra um grupo de aprendizes, junto com o seu mestre, e fazem uma breve demonstração da arte que a fadista pratica há mais de uma década.

Depois, retorna ao palco incorporando um longo vestido pérola que lhe dava aquele ar de menina, alegre e bem disposta que lhe é tão característico, pare interpretar “Ríu”. Passámos por “Fado da Fé” e somos levados por “Verdes são os campos”, um poema do eterno poeta português Luís de Camões com música de Zeca Afonso, ao mesmo tempo que os bailarinos se passeavam pela plateia rumo ao palco e se tornarem o foco neste tema. Cuca voltou para o fundo do palco e cantou e encantou enquanto concluía a sua tela.

Uma noite fora do normal até então numa viagem. tal como prometido logo no início, pelas demais expressões de arte da artista. A primeira vez nesta sala, um espetáculo diferente e arrojado, mas ainda não era suficiente para tornar esta noite memorável. Ou pelo menos foi assim que João Lapa, marido de Cuca pensou. Antes de sair para a terceira muda de roupa, João chegou-se à frente do palco e pediu a amada em casamento. Um momento que gerou alguma confusão visto o casal já ter contraído matrimónio em 2015 mas fora apenas por civil. Agora falta a consagração do amor aos olhos de Deus, algo que sempre referiram nas demais entrevistas.

Porque haviam ainda mais surpresas, mesmo na reta final do concerto, pano branco que serviu de cenário até então caiu e revelou-nos a Orquestra Sinfónica da Guarda Nacional Republicana. Cuca surge-nos agora em palco, com um longo e sensual vestido vermelho, para interpretar “Fado da Entrega”. Este foi um dos momentos mais aplaudidos do concerto. A fusão da voz da fadista com a orquestra, foi algo mágico, algo digno de um filme da Disney.

Confessa-nos que sempre pensou que esta noite fosse especial mas nunca que iria ser pedida em casamento. E depois de um “Vou recordar esta noite para sempre”, atira-nos com “Porto Sentido” de Rui Veloso. O público acompanha nas vozes, ainda que meio acanhado e, no final, desabrochou uma grande ovação e agora sim, Cuca foi aprovada pelo povo do Norte.

“Amor Ladrão” descolou o Coliseu das cadeiras e, sendo ela uma mulher de fé, agradece com “Foi Deus” que teve direito a confettis e tudo. Despediu-se de nós com um “Muito obrigada pelo carinho Porto” e muitos de nós retorquiu com um “Até Breve”.

cuca-roseta-1

Para acederes à galeria completa clica aqui.


Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira

Comentários
Top

Este site utiliza cookies próprios e da Google para personalizar conteúdo e anúncios, funcionalidades de redes sociais e análise de tráfego. A informação contida nestes cookies pode ser partilhada com os nossos parceiros fornecedores das funcionalidades descritas atrás. Ao navegar neste site, estará a consentir a utilização destes cookies. Saiba mais sobre o uso de cookies.

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

X