“O Aqui”, espetáculo da CiM – Companhia de Dança tem direção artística da coreógrafa Ana Rita Barata e do realizador Pedro Sena Nunes estará em cena no TNSJ nos dias 27 e 28 de outubro.

Será possível a criação de um espaço de igualdade que promova o encontro de universos distintos na sua maneira de ser e de estar? É esta a pergunta que a CiM – Companhia de Dança vai responder na sua criação que junta nove intérpretes com e sem deficiência em palco. No momento em que celebra dez anos de atividade, a companhia revisita um espetáculo que o jornal Público considerou um dos melhores do ano de 2009, colocando em cena a união entre o risco e o afeto, entre o arrojo e a generosidade, entre a diferença e a inclusão, entre o artístico e o social. “O Aqui” estará em cena no Teatro Nacional São João na sexta-feira e sábado, dias 27 e 28 de outubro (21h00 e 19h00, respetivamente).

“O Aqui” tem o tempo – o tempo cronológico e o tempo interior, o tempo do mundo e o tempo de nós – como tema central, explorando-o através do cruzamento de linguagens. O espetáculo – uma narrativa por vezes fluída, por vezes fragmentada – tem direção artística da coreógrafa Ana Rita Barata e do realizador Pedro Sena Nunes, colocando em órbita a associação Vo’Arte que promove, desde 2007, uma abordagem pioneira ao exigente universo da arte inclusiva. Em palco será criado um espaço de desafio e questionamento entre aquilo que distancia e aproxima o Eu e o Outro.

A performance é uma coprodução Vo’Arte, São Luiz Teatro Municipal e TNSJ e tem três parceiros: a Associação Cultural CiM, a Associação de Paralisia Cerebral de Lisboa e o Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian – SCML. O Aqui – com dramaturgia e voz de Natália Luiza – é para maiores de seis anos, sendo que a récita de 28 de outubro será acompanhada por um intérprete de Língua Gestual Portuguesa (LGP) e terá audiodescrição. O preço dos bilhetes varia entre os 7,50 euros e os 16 euros.

“Um Teatro Para Todos”: A missão do TNSJ

A apresentação de “O Aqui” é mais um passo do Teatro Nacional São João na inclusão social de todos os cidadãos, de forma a cumprir a sua missão de serviço público. Relembre-se que, no arranque da temporada anterior, a instituição lançou o projeto “Um Teatro Para Todos” que foi distinguido com uma menção honrosa na categoria “Acessibilidade Social”, do Prémio Acesso Cultura 2017 e que abrange, para além do próprio TNSJ, também o Teatro Carlos Alberto e o Mosteiro de São Bento da Vitória.

Para isso, foram reforçadas as acessibilidades físicas e promovidas ações que desenvolvem a acessibilidade de conteúdos, como é exemplo das sessões em LGP (destinadas à comunidade surda) e audiodescrição (para invisuais), além de sessões descontraídas destinadas a crianças pequenas ou com défice de atenção, a pessoas com deficiência intelectual, com condições de espectro de autismo ou qualquer deficiência sensorial, social ou de comunicação. Também algumas visitas guiadas passaram a contar com a orientação presencial de um intérprete/mediador de LGP, para além de em todas as sessões serem disponibilizados videoguias. O Centro de Documentação do TNSJ localizado no Mosteiro de São Bento da Vitória tem, ainda, um computador que integra a aplicação NVDA (NonVisual Desktop Access) destinada a pessoas com deficiência visual e que permite a “leitura de ecrã”.

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