Está aqui!
Home > Música > Concertos > Charles Bradley está de volta aos palcos e a Portugal

Charles Bradley está de volta aos palcos e a Portugal

Charles Bradley
Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone

Oito meses depois de ter cancelado a digressão mundial, após lhe ter sido diagnosticado um cancro no estômago, Charles Bradley anuncia o seu regresso aos palcos. A 23 de novembro, estará em Portugal para um concerto no Coliseu do Porto.

A expressão “força da natureza” é muitas vezes desperdiçada em certos artistas, mas totalmente adequada se se procurar descrever a intensidade da arte de Charles Bradley. O cantor, associado da mesma Daptone Records da saudosa Sharon Jones, é uma espécie de monumento vivo, testemunho directo de uma cultura e de um tempo que de facto mudou o curso da história americana.

Apesar de contar 68 anos de idade, o veterano de Brooklyn, Nova Iorque, só conta três álbuns no seu currículo uma vez que só em 2011 foi descoberto nas ruas da grande cidade por Gabriel Roth, o homem do leme da Daptone que nunca deixou de procurar autenticidade para a música que teimosamente foi criando e lançando, mesmo quando a soul e o funk de recorte mais clássico não tinham ainda (re)conquistado audiências internacionais. Claro que tudo mudou depois de Roth ter sido chamado a dar uma ajuda no segundo e histórico álbum de Amy Winehouse, “Back to Black”. A cultura em que a cantora de “Love is a Losing Game” se inspirou e com que obteve um extraordinário sucesso, circula há décadas nas veias de Charles Bradley.

Natural da Flórida, o futuro cantor foi cedo para Nova Iorque e contava apenas 14 anos quando viu, levado pela irmã, James Brown ao vivo no mítico Apollo, no Harlem, corria o ano de 1962. Brown nunca mais deixou de ser uma referência máxima para Bradley. Com jeito para cantar, Charles tentou que a música fosse um escape para o seu ganha pão como cozinheiro, mas uma das suas primeiras bandas acabou por ver o futuro comprometido pela guerra do Vietname. Nas décadas seguintes, Bradley foi cruzando a América – do Alaska à Califórnia – fazendo pequenos concertos e aceitando o trabalho que ia surgindo, como cozinheiro ou pedreiro ou outra coisa qualquer.

Foi com a “máscara” de Black Velvet, um imitador de James Brown, basicamente, que Gabriel Roth o descobriu num pequeno clube de Nova Iorque. O editor e produtor, que também assina Bosco Man, viu real talento em Bradley e levou-o para a Daptone, com “No Time For Dreaming”, de 2011, a revelar-se a primeira entusiasmante etapa desta nova fase da sua vida. Em palco, Charles Bradley foi confirmando todas as esperanças de Roth e rapidamente se afirmou como um artista fulgurante e uma das principais figuras do revival Soul que tem marcado o planeta.

Charles foi protagonista do documentário “Soul of America” em 2012, editou “Victim of Love” em 2013, arrasou palcos nos maiores festivais do mundo – de Coachella ao Primavera Sound, passando por Glastonbury – e afirmou-se como artista de corpo inteiro, representante no presente de uma tradição musical que se estende até James Brown e que foi uma verdadeira ferramenta de afirmação dos direitos da minoria afro-americana.

O ano passado, Charles Bradley editou “Changes”, álbum que incluía uma versão do tema dos Black Sabbath com o mesmo título, e combateu e derrotou um cancro no estômago, regressando agora em força para um concerto no Coliseu do Porto, a 23 de Novembro. É em palco que se percebe a imparável energia deste gigante, a mesma energia que músicos como Jay Z tentaram capturar ao samplar as suas canções. Charles Bradley é de facto um portento, uma força da natureza. E como se faz perante qualquer outra força da natureza, a nós, comuns mortais, só nos resta admirar a sua magnificência.

Os bilhetes para o Coliseu do Porto já estão à venda e custam 25€. O início do concerto está marcado para as 21h30.

Comentários
Top

Este site utiliza cookies próprios e da Google para personalizar conteúdo e anúncios, funcionalidades de redes sociais e análise de tráfego. A informação contida nestes cookies pode ser partilhada com os nossos parceiros fornecedores das funcionalidades descritas atrás. Ao navegar neste site, estará a consentir a utilização destes cookies. Saiba mais sobre o uso de cookies.

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

X