A Casa das Artes, no Porto, inaugura o seu calendário de exposições para 2017, com “Nu Eterno”, uma mostra de trabalhos escultóricos em pele do artista João Carvalho. A exposição inaugura no dia 14 de janeiro, ficando patente ao público até 5 de março.

O escultor João Carvalho nasceu em Torres Novas, em 1962. Neto de Luís Pereira – pintor retratista -, descende de uma contínua linhagem de familiares com veia artística pelo lado materno.

Do seu avô e depois do seu pai, João Carvalho adquiriu o gosto e o conhecimento pelas peles curtidas revelando-se um autêntico entendido na matéria e decide mais tarde, obter a formação como técnico de curtumes, na Alemanha, em 1983.

Aliando a sua longa experiência e técnica nas peles curtidas, João Carvalho cria então as suas esculturas, que integram a coleção «Nu Eterno».

“A pele e a sua curtimenta é uma actividade omnipresente na vida de João Carvalho. O seu avô bem como o seu pai, industriais deste ramo, cedo souberam incutir-lhe o gosto pela pele, vindo a especializar-se nestas técnicas na Alemanha. A par disso e honrando a herança do seu avô materno, que era pintor, abraçou a arte escultórica. Fê-lo elegendo e assumindo um material pouco vulgar neste universo artístico. Afinal, o material que tão bem conhece e trabalha.

A figura do nu sempre foi um eterno motivo inspirador de quase todos os artistas, desde os tempos mais remotos. É incontornável a graciosidade daquela miríade de formas e curvas, uma dádiva de que João Carvalho não se alheou.

E, das suas mãos, a pele inerte renasce numa brilhante vitalidade.

Mas a beleza dos corpos envoltos em ondulantes véus ou panejamentos é de um realismo perturbante. Destas figuras, parecendo decepadas, ressaltam névoas de vida em esbelta sensualidade.

A sua obra, talvez única, no seu género, tem percorrido várias cidades, de Lisboa a Milão e encontra-se em exposição permanente no Artspace com o seu nome, em Alcanena e que é também o seu atelier de trabalho para a área da moda.

O imenso potencial deste espaço fez com que rapidamente se transformasse numa galeria de referência. João Carvalho tem aqui participado em mostras colectivas com artistas como João Alfaro, Cristina Troufa, Gustavo Fernandes, Isabel Lhano, Emanuel Sousa Fernandes, Francisco Simões, Martins Correia e Gil Teixeira Lopes”.

Antero Guerra, artista plástico

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