Entre 10 e 19 de novembro, vai estar em cena no Teatro Carlos Alberto, no Porto, A “Grande Vaga de Frio”, com encenação de Carlos Pimenta.

“Para fazer Orlando é sempre necessário uma (ou um) grande intérprete”, referia Carlos Pimenta aquando a estreia de “A Grande Vaga de Frio” – a partir da obra Orlando, de Virginia Woolf – no Centro Cultural de Belém, em outubro. Não terá sido então por acaso que o encenador convidou Emília Silvestre, atriz habituada a monólogos fulgurantes, para uma reinterpretação do texto da dramaturga britânica que reflete sobre temas tão pertinentes como o tempo, a realidade e a ficção, a questão do género e do transgénero, a emancipação da mulher ou a censura ao puritanismo. O espetáculo chega agora ao Teatro Carlos Alberto, podendo ser visto entre 10 e 19 de novembro.

Em “A Grande Vaga de Frio”, o Ensemble – Sociedade de Actores propõe uma nova e mais radical leitura nacional de Orlando, a qual, durante a sua criação, acabou por se emancipar e acrescentar novas possibilidades. A mais longa e encantatória carta de amor à literatura, como expressão do amor à liberdade do palco, põe em cena uma figura camaleónica, sempre jovem, que muda caprichosamente de sexo e identidade: um jovem nobre do século XVI que percorre três séculos, culminando como escritora na própria época de Woolf.

Um texto publicado no início do século XX e que já foi bastante abordado em teatro e no cinema – relembre-se, por exemplo, o filme de Sally Potter (1992), a encenação de Bob Wilson (1989, 1993, 1996) ou a criação cénica de Sara Carinhas e Victor Hugo Pontes (2015), mais recentemente –, Orlando tem bastantes leituras possíveis. Aquela que se apresenta em A Grande Vaga de Frio é, para Carlos Pimenta, “o gosto de poder construir um espetáculo de teatro na expectativa de que o público nele se encontre e dele se aproprie”.

“A Grande Vaga de Frio” é uma coprodução Ensemble – Sociedade de Actores, Centro Cultural de Belém e TNSJ e está em cena na quarta-feira e sábado, às 19h00, na quinta e sexta-feira, às 21h00, e no domingo, às 16h00. A música original é de Ricardo Pinto, os figurinos são de Bernardo Monteiro e o vídeo é da responsabilidade de João Pedro Fonseca. No dia 12 de novembro, às 17h15, está prevista uma conversa pós-espetáculo com Carlos Pimenta, Emília Silvestre, Luís Costa Gomes, Sara Carinhas e Pedro Sobrado. Já a 19 de novembro, a récita tem tradução em Língua Gestual Portuguesa (LGP). O preço dos bilhetes para o espetáculo é de 10 euros.

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