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Carminho ressuscita Tom Jobim e Guimarães derrete-se

Carminho
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Carminho passou pelo Pavilhão Multiusos de Guimarães este sábado com o projeto “Carminho Canta Tom Jobim” e fez as delícias de todos os presentes.

Carminho, uma das vozes mais conceituadas do fado, há muito que espelhava o seu enorme amor pelo Brasil, pelos seus sons e pelas suas gentes, em especial Marisa Monte – sua grande amiga – e pela família Jobim, nomeadamente pelo filho Paulo, que é de resto o responsável pela direção musical deste projeto.

Mais do que uma homenagem, é o ressuscitar de Tom Jobim, numa voz, feminina, mas forte e calorosa que se enquadra na perfeição no estilo tipicamente brasileiro da Bossa Nova.

Acompanhada pela Banda Nova, a mesma que acompanhou Tom nos seus últimos anos de carreira e composta por grandes nomes como Paulo Jobim, Jaques Morelenbaum e Paulo Braga, Carminho ofereceu uma viagem pela vida sua vida, pelo amor que sente teve por Jobim e sua obra e a influência que isso teve na sua vida e na sua carreira, e no mundo novo que descobriu essencialmente através de Marisa Monte e dos amigos que esta lhe proporcionou.

“Sabiá” abre um concerto emotivo e sentido para Carminho, espelhava isso mesmo a cada música, a cada história, a cada momento que partilhava com o publico que praticamente lotava o multiusos de Guimarães.

Marisa Monte

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Ouviram-se temas como, “Triste”, “A Felicidade” e mesmo “Wave”, um dos ícones da música popular brasileira, todos “traduzidos” para o português. Como disse Paulo Jobim, “o maior desafio foi traduzir letras em português para português”, mas o que é facto é que o resultado foi absolutamente harmonioso, delicioso!

Um dos primeiros grandes momentos da noite foi quando Carminho explicou a ousadia de pedir a Chico Buarque que reescrevesse “Retrato a Preto e Branco” de forma a tornar a letra mais harmoniosa com a pronuncia portuguesa, uma loucura, como diz a artista, que felizmente Chico aceitou, e assim se cantou este tema agora reescrito para português de Portugal.

Estava boa a noite, mas o melhor estava para vir, é aí que se chama ao palco Marisa Monte para a acompanhar em alguns dos temas, à semelhança do que faz no disco de estúdio. “Estrada do Sol” e “Chuva no Mar” merecem a maior ovação da noite, sempre com enorme empatia, simpatia e cumplicidade entre ambas em cima do palco.

Quase duas horas após o inicio do espetáculo, era hora da despedia, com Marisa Monte novamente em palco e o publico a fazer tudo para que esse momento jamais acabasse.

Mas a verdade é que acabou e termina igualmente, em Guimarães, a digressão de Carminho dedicada ao pai da bossa nova, e um dos réis da musica popular brasileira, Tom Jobim.

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Texto: Anabela Cesteiro
Fotografias: Mário Monteiro

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