Caetano Veloso passou esta terça-feira (25) por Coliseu do Porto esgotado, acompanhado de Teresa Cristina com a digressão “Caetano apresenta Teresa”.

Dentro da hora marcada, sem grandes atrasos significativos, Caetano Veloso subiu ao palco do Coliseu do Porto para nos apresentar a primeira parte do espetáculo: “Boa noirte Porto. Antes de voltar para cantar para vocês vou deixar-vos com a maravilhosa Teresa Cristina”. Saiu de palco acompanhado de aplausos, os mesmos que receberam Teresa Cristina e alguns dos temas do seu mais recente trabalho, “Teresa Cristina Canta Carola”.

“O Mundo é um Moinho” foi o primeiro tema apresentado, onde tínhamos em palco apenas a cantora brasileira acompanhada pelo violão de Carlinhos Sete Cordas. Seguiram-se “Corra e Olhe o Céu” e “Preciso me Encontrar”, temas que encaixaram perfeitamente no cenário minimalista que envolvia toda a emoção com que os artistas brasileiros cantavam e tocaram. Foram momentos partilhados connosco, com cada um de nós.

Cartola, cantor, compositor e instrumentista, considerado por muitos como o maior sambista da história brasileira, foi assim revisitado na voz de Teresa que não deixou de brincar em “Teve Sim”, onde trocou os papéis do homem e da mulher. Este foi o mote da digressão “Caetano apresenta Teresa”.

A verdade é que os brasileiros têm muito a capacidade de se tornarem cúmplices de nós, de nos fazerem alinhar nas suas aventuras, que é como quem diz, deixar o samba percorrer-nos o corpo e todas as outras sonoridades característica daquele país.

A primeira e três partes do espetáculo encerrou com “As Rosas Não Falam” onde Teresa substituiu uma rosa por um cravo, símbolo da liberdade portuguesa conquistada neste mesmo dia há 43 anos.

Amigo e colega, estava na hora de ceder o palco a Caetano. Teresa elucida-nos e diz-nos que “no Rio de Janeiro, a gente fala assim, é f*da, que ele é do outro mundo” e neste momento entra em cena Caetano com o seu violão em punho. Estávamos prestes a dar início a uma maratona por alguns temas que não já não eram tocados ao vivo há algum tempo mas que nos são tão conhecidos.

Bom, com 74 anos, Cateano Veloso mostrou o estatuto que adquiriu ao longo destes anos, a que patamar chegou e foi assim que se manteve. Não, ele não é um artista que goste de estar sempre a dar “duas de letra” com o público, ele prefere tocar e cantar, encantar-nos e falar-nos com as suas canções.

“Luz do Sol” foi o pontapé de saída, e quase numa velocidade cruzeiro chegámos até um dos momentos mais aguardados da noite, o artista brasileiro decidiu brindar-nos com um tema de 1977 que ainda hoje é um marco na sua carreira: “O Leãozinho”.

Seguiu-se “Menino do Rio” e todos cantavam sem falhar um verso. Um público composto por gente mais madura, que mostrava uma sensibilidade diferente, foi absorvendo cada canção, cada tema, e intervindo quando assim achava que o devia fazer.

Em “Love For Sale”, uma atuação acapella,  foi um dos temas em que tivemos direito a ouvir algumas palavras da parte de Caetano: “Este tema podia ter ganhado um Nobel”.

Num alinhamento composto por 19 canções, não foram deixadas de lado dois temas que representam o que foi o Tropicalismo no Brasil mas que não chegaram a ser muito populares/comerciais mas que para Caetano dizem muito: “Enquanto Seu Lobo Não Vem” e “A Voz do Morto”. Ambas escritas em 1968, que falam das passeatas – nome dado às manifestações políticas de rua que lutavam contra a ditadura militar que prevalecia pelo Brasil desde 1960, cheias de entusiasmo e medo.

“A Luz da Tieta” deu por encerrada esta segunda parte mas é claro que não sem antes ouvirmos a mítica “Sozinho”. Este foi outro dos momentos onde o público não se coibiu de cantar, com um sorriso de orelha a orelha.

Para a terceira e última parte do concerto, Teresa Cristina, Carlinhos e Caetano Veloso retornam ao palco para mais um punhado de canções como “Tigresa” – outro também bastante conhecido do público -, “Odara” e “Qualquer Coisa”.

Com um cravo na lapela do casaco, Caetano Veloso despediu-se de nós com um “Até à próxima Porto” depois de duas horas de música e quase quatro dezenas de canções.

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Texto: Mónica Ferreira

Fotografias: Bruno Ferreira

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