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Bruno Mars e “24k Magic” de imitações

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– 2.5

Depois de quatro anos sem lançamentos, Bruno Mars está de volta com “24k Magic”, o seu terceiro disco. O que traz de novo? É ouvir e tirar as próprias conclusões.

Começar a escrever sobre este disco é algo complicado. Foi preciso ouvi-lo mais vezes do que é habitual e pensar muito bem nas palavras a empregar em determinadas alturas mas vamos lá dar o pontapé de saída.

Para todos os que estavam à espera de um novo trabalho de Bruno Mars desenganem-se: é uma coletânea de possíveis episódios de um programa de imitações que até está no ar num canal de televisão português.

Neste novo trabalho, composto apenas por nove canções – a mesma duração de um LP em vinil – Bruno Mars mistura as suas inspirações, originando em verdadeiras obras de arte que, (in)felizmente soam-nos um tanto ou quanto familiar. Neste disco, o espírito dos anos 90 está sempre presente e foi feito para nos pôr a dançar do princípio ao fim – até nas baladas.

24k Magic“, tema homónimo que dá o pontapé de saída, e o primeiro single extraído deste disco. Este tema acaba por ser uma espécie de segunda parte de “Uptown Funk”, que juntou Mars e Mark Ronson, até porque ambas partilham a mesma estrutura. Aqui há uma mistura de funk, elementos eletrónicos que apostam nos sintetizadores e R&B que resulta numa canção comercial e cativante para os fãs. Afinal de contas segue a mesma linha do hit já mencionado e podia muito bem pertencer ao novo disco de Ronson.

Segue-se “Chunky“, e tal como o tema anterior, tem um baixo bastante presente e marcante acompanhado de umas vozes que nos levam numa viagem ao R&B das décadas de 80 e 90. Dançável qb, cheia de groove, com um toque retro e mostra-nos um Bruno Mars bastante capaz de desenvolver as suas melodias.

A canção que se segue, “Perm” é uma mistura bastante apetecível de James Brown com Ricky James. Com uma sequência ainda mais vibrante, uma bateria mais pesada que sobressai entre as guitarras que servem como pano de fundo. Contudo, acaba por soar como uma versão de um original qualquer de Brown e não um inédito de Mars.

Segue-se “That’s What I Like” e com ela o hip-hop. Aqui o ritmo do disco baixa, deixa de ser dançável com as energias ao máximo. Ainda que bem construída, com Bruno Mars num registo vocal diferente mas que se enquadra na canção como um todo, é quiçá o tema menos bem conseguido deste disco.

Versace On The Floor“, o segundo single extraído de “24k Magic”, é uma autêntica balada dos anos 80, com diversos elementos que nos trazem à cabeça o mítico Tim Moore e o seu grande êxito “Yes” mas Michael Jackson é quem está mais presente. Ou melhor, aquela fase da sua carreira em que apostava em baladas – e que são consideradas parte integrante da parte menos boa da sua carreira  – e Mars até se esforça em alguns momentos para conseguir se aproximar aos falsestes de Jackson.

O sexto tema do alinhamento deste disco, “Straight Up & Down“, é outra balada com marcas dos anos 80 e 90. Uma canção R&B, com uma sonoridade sensual, uma melodia cuidada acompanhada por uma letra provocativa, egocêntrica e não é de todo o tema mais original do disco mas dado os restantes temas, segue o fio condutor.

Calling All My Lovelies“, ou “Chamem o Usher dos anos 90”, temos presente o R&B muito ao jeito do norte-americano, com voz mais grave. Contudo, tem uma letra um tanto ou quanto arrogante, que nos diz quase como “Deus no Céu e Bruno Mars na Terra”. Ponto a favor: Halle Berry no atendedor de chamadas.

A oitava faixa de 24k Magic”, “Finesse“, remete-nos para as produções de Jimmy Jam e Terry Lewis. O R&B dos anos 90, com Mars a fazer uma boa interpretação no geral mas lá está: não há nada de novo.

Too Good To Say Goodbye” fecha o disco e, tal como em “Versace On The Floor”, temos Michael Jackon muito presente. Ainda que com uma construção melódica requintada, faz-me perguntar: onde é que está Bruno Mars? Podia homenagear tudo e todos mas dando o seu próprio cunho pessoal, mas não, preferiu manter-se linear e fiel às “origens”. O dedo de Babyface está lá também, ou não tivesse ele co-escrito este tema.

Bom, já nos apercebemos que ele não nos vai trazer sonoridades novas, mas sim espécies de novas versões que até poderiam ter sido construídas pelos artistas que “imita”. Não que seja mau, mas não era bem isto que se esperava de Bruno Mars. Pelo menos eu não esperava. As influências, os ídolos podiam lá estar todos mas de forma a que as canções não soassem a autênticas covers, faltou ser revelada a “personalidade” do havaino.

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