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Bizarra Locomotiva: A locomotiva continua bizarra…tal como nós gostamos

Bizarra Locomotiva
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“Uma noite única e irrepetível em Lisboa”. Foi com este mote que os Bizarra Locomotiva fizeram o convite para nos juntarmos à festa. A comemoração da reedição do “Álbum Negro” juntou, inevitavelmente, uma multidão de negro à porta do RCA Club, em Lisboa.

A primeira parte do evento esteve a cargo dos She Pleasures Herself. Quando David Wolf entra em palco, apetrechado de metal da cabeça aos pés, os menos conhecedores da banda ficam logo alertados: este grupo não se limita a fazer música. Faz-nos sentir a sua música. E como? Iniciam a atuação com “Fake” – fake como a peruca de Nuno Varudo, o casaco emplastificado de Nuno Francisco ou os piercings de Letícia Contreiras. Mas será mesmo? Sendo difícil (e ainda bem) descrever o género musical dos She Pleasures Herself, o rock gótico está lá, com algum post-punk e darkwave à mistura.

O efeito visual, que neste grupo é tudo menos descurado, permite-nos sentir as letras que Nuno vai entoando, quase como se fossemos donos delas. E quando não são as letras, são os olhares penetrantes de David Wolf ou a performance robótica de Nuno Francisco. Relendo o nome da banda, e à medida que a atuação foi decorrendo, permaneceu o sentimento de que, ali, podíamos ser o que quiséssemos ser. Com ou sem perucas, com mais ou menos acessórios, com mais ou menos efusividade no olhar. Desta atuação, destacou-se o primeiro single da banda, “Dance With Her”, o tema “The End” e a cover “I Can’t Live in a Living Room”, dos Red Zebra. Com um novo álbum a aproximar-se, espera-se um regresso em breve. Em cheio, já sabemos que vai ser.

O efeito visual não se ficou pela primeira atuação. Rui Sidónio entra em palco vestido com plástico preto e deixa o público em êxtase ao som de “Êxtases Doirados”. “Sinto a febre dentro de mim”, dizia Sidónio e os fãs, em simultâneo. De facto, esta noite foi completamente febril. A começar pelo suor que Sidónio fez escorrer desde os primeiros instantes, ao público que se apertava cada vez mais, querendo estar o mais perto possível daquela Locomotiva. É notória a cumplicidade entre a banda e os fãs, principalmente nos momentos em que Sidónio vai falando com os fãs nas primeiras filas, entre o término e o início de cada tema. Assim, não era difícil perceber o entusiasmo em chegar às grades.

No tema “O Anjo Exilado”, surge Fernando Ribeiro, que dispensa apresentações. Mas não se pense que Fernando Ribeiro terminou por aqui a sua aparição: seguiu-se “Ergástulo”, um dos temas mais fortes da noite. Aqui, ambos os vocalistas atuaram (e suaram) no meio do público, algo que voltou a ocorrer mais vezes ao longo do concerto. Mas se Fernando Ribeiro participou em alguns temas como convidado, na maioria deles pudemo-lo ver como verdadeiro fã da banda, nas primeiras filas, vibrando como qualquer outra pessoa que ali estivesse. Em “A Procissão dos Édipos”, é impossível não conceber os Bizarra Locomotiva como um nome incontornável no metal industrial. O baterista Rui Berton ia seguindo as batidas da música, apontando uma baqueta a Sidónio como se de uma arma se tratasse. Por outro lado, “Engôdo” tem um instrumental particularmente sombrio e, assim que começou, levou um fã da primeira fila a mergulhar pela plateia e música adentro. Muito embora o destaque da noite fosse para o “Álbum Negro”, seguiu-se um encore no qual pudemos revisitar outros temas, como os muito aplaudidos “Mortuário” e “Gatos do Asfalto”.

Já no fim da noite, e como homenagem pelo recente falecimento do músico Zé Pedro, os braços na sala ergueram-se e cruzaram-se, simbolizando os emblemáticos Xutos & Pontapés, enquanto Sidónio e Fernando Ribeiro cantavam uma versão de “Se Me Amas”. A noite termina com Sidónio a distribuir setlists pelos fãs e Alpha a atirar um teclado para o público (ameaçando atirar um segundo). Fernando Ribeiro deu os punhos que trazia nos pulsos. Vistas bem as coisas, deram muito mais que isso. Esta foi uma noite de reencontros, de partilha e gasto de energia. De olhares matadores, mas cúmplices. Uma locomotiva bizarra – mas unida.


Texto: Sara Delgado

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