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Bem-vindos ao “Mundo” de Mariza

Mariza
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Mariza apresentou na passada quinta e sexta-feira o seu novo álbum, intitulado “Mundo”, no Coliseu do Porto.

Passavam poucos minutos das 22h quando Mariza subiu ao palco do Coliseu do Porto no passado dia 26 de novembro para apresentar o seu mais recente trabalho e homenagear Beatriz da Conceição, fadista portuguesa, que partiu nesse mesmo dia.

Feitas as homenagens, Mariza deu início à primeira parte do concerto com “Fadista Louco” acapela, seguida de “Anda o Sol na Minha Terra“, “Maldição“, “Dona Rosa“, que foi logo aplaudido desde os primeiros acordes, um tema alegre que contesta a suposta tristeza que assombra o fado tradicional,  e “Primavera“.

O público, vestido a rigor para uma típica de noite de fados, teve assim como que uma despedida da Mariza, aquela que se dedicava ao fado com entusiasmo e paixão, que transmitia sentimentos e emoções quando pegava no microfone e começava a cantar e que agora aparece com um novo trabalho diferente do que tinha feito até agora mas com mais garra e energia.

Saindo do passado onde tínhamos uma Mariza fadista, chegámos ao presente e quiçá futuro.

Missagas” foi a canção escolhida para começar assim a apresentação do seu novo trabalho. Aqui, o palco enche-se de cor e Mariza troca o vestido preto por um vermelho, cor de paixão, a paixão com que canta e encanta todo um coliseu a rebentar pelas costuras.

Antes de passar ao próximo tema, eis que a artista explica o porquê de “Mundo” ter demorado cinco anos a ser gravado: ele reflete tudo aquilo em que Mariza se tornou nesta última meia década.

Depois ouviu-se um poema de Cabral Nascimento com música de Pedro Jóia, intitulado “Adeus“. Mas não, ainda não era hora de despedidas até porque o espectáculo nem ia a meio.

Sem Ti“, um tema que dedicou a um dos grandes amores da sua vida, o seu marido, e que tinha como cenário a capa do disco, e uma Mariza a emanar o amor que sente pela sua cara metade.

Cada canção de “Mundo” fala de uma parte da sua vida sendo assim um convite para entrarmos e a conhecermos melhor profissional e, um pouco, pessoalmente visto estarem ambas “entrançadas”, até porque há sempre o cunho de uma na outra.

Mariza recebeu várias influências dos seus progenitores e não só. Filha de pai portuense e mãe moçambicana, com um avô que viveu 38 anos na Venezuela, o espanhol e castelhano, assim como o tango e milonga, sempre fizeram parte da sua vida desde tenra idade. Assim sendo, a artista recorreu àquele a quem chamou de melhor amigo, o Google, para procurar um tango/milonga e assim saiu “Caprichosa“, uma canção que fala de uma bela portuguesa bastante caprichosa que não deixava o moço levar a sua a melhor.

Para marcar exatamente o meio de um concerto de apresentação de um trabalho tão especial, ouviu-se “Melhor de Mim“, o single de estreia do disco. Um ou outro corajoso acompanha Mariza, mas verdade seja dita, não é fácil fazer-se ouvir perante o belo do vozeirão desta artista que é tão nossa.

Seguiu-se “Sombra” e um tema que pede para que o público cante com ela: “Padoce“. Depois de um mini-ensaio, lá a acompanharam conforme tinham entendido. “Alma“, “Rio de Mágoa“, “Chuva“, “Barco Negro“, “Rosa Branca” e para terminar a segunda parte do espetáculo, ecoou pelo coliseu “Paixão“, sentimento sempre presente quando ela (en)canta.

E o concerto já estava mesmo a acabar. Chegados ao encore, Mariza emocionou tudo e todos. Desceu do palco e falou-nos do grande amor que emanou aquando o nascimento atribulado do filho, que segurou nos braços para cantar uma meiga canção de embalar. Aqui ouviu-se “O Tempo Não Pára” e, já mesmo em jeito de despedida “Gente da Minha Terra“, escusado será dizer que uma ou outra pessoa chegou mesmo a deitar uma lágrima, afinal de contas a emoção com que a canta e com que o público a sente, é algo assolador.

Ainda no encore, desfilou pela ala central do coliseu onde acarinhou e cumprimentou algumas pessoas e aqui pudemos ver que há cada vez mais uma proximidade entre a artista e os fãs. “Saudade Solta” foi a canção escolhida para encerar o espetáculo e deixou mesmo alguma saudade solta pelos presentes. Mariza foi bastante aplaudida e elogiada por todos, afinal de contas há um mundo de Mariza em cada uma daquelas pessoas.

Neste espetáculo, a artista contou com a presença da sua família, alguma escondida, outra mesmo na primeira fila, e com Rui Veloso, colega e amigo de longa data. Para além dos mais chegados, o guarda-redes do Futebol Clube do Porto, Iker Casillas e a sua esposa, que é uma fã assumida de Mariza, Sara Carbonero, estiveram presentes neste espetáculo.

Este disco de Mariza é diferente de tudo o que tem feito até agora, ao princípio chega mesmo a soar a estranho visto que estávamos habituados a ouvi-la no fado, mas é como já dizia Fernando Pessoa “primeiro estranha-se e depois entranha-se” e, de facto, “Mundo” ficou mesmo entranhado nos fãs.

Mariza vai estar em Lisboa, no MEO Arena, no próximo dia 7 de dezembro para apresentar o novo disco e assim encerrar a digressão mundial de “Mundo”.

Fotografias: Bruno Ferreira

 

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