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Bastille abrem-nos as portas do seu “Wild World”

Bastille
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– 3.5

Os Batille lançaram “Wild World”, o seu segundo disco de originais, no passado mês de setembro. Um disco inspirado em medos e preocupações reais, deixando de lado toda a História que originou “Bad Blood”.

Good Grief“, o tema introdutório de “Wild World”, foi o primeiro single extraído deste disco e mostra-nos que os Bastille colocaram de lado a mitologia e os livros de história. Esta é uma canção eufórica, pop que nos fala da morte, de funerais, estar triste mas muito ao estilo dos Bastille. Com um coro forte, feita para nos cativar desde logo com a sua sonoridade, que contrasta com o que é cantado. Dan Smith está mais emotivo e isso nota-se na lírica.

A segunda faixa, “The Currents“, um resumo de uma sociedade retrógrada, cheia de preconceito, castradora, presa a ideologias antigas, tudo. Musicalmente conduzida por cordas staccato e um som eletrónico mais sombrio que nos faz querer “colar”.

A terceira canção do alinhamento deste disco, “An Act of Kindness” mantém-nos numa atmosfera mais sombria. Começa de forma calma, com Dan Smith a lamentar-se por uma atitude má que tomou, para depois rebentar. São expressos sentimentos de culpa por não conseguir devolver um gesto de bondade, antes pelo contrário, e isso atormenta-o todos os dias.

É um tema eletronicamente bem construído, é uma experiência eletrónica por camadas, com alguns efeitos de sintetizadores que não incomodam, que mantém as emoções puras e cruas como nas restantes canções.  Contudo, em certos momentos a produção excessiva acaba por abafar a voz, distraindo-nos da mensagem.

Segue-se “Warmth“, e aqui já estamos agarrados ao disco. Um synthpop dancefloor, apoiado num baixo saltitante, em linhas de sintetizadores, tudo envolto em elementos electroclash. Fala-nos do medo que as televisões nos impõem, as inseguranças que nos transmitem com as palavras e imagens, a descrença provocada pelo estado político atual. Aliás, podem-se ouvir pequenos excertos de peças jornalísticas logo no início da canção.

Apesar de todas as canções serem agitadas, “Glory” é, quiçá a menos dançável. Há um casamento perfeito entre componentes eletrónicos com toques orquestrais. É a junção da batida dance, do piano, dos arranjos vocais e das cordas que nos fazem sentir o que nos é cantado.

As cordas são eficazes do que outras canções porque, em vez de guiar a melodia, a orquestra é algo que vai surgindo aos poucos e poucos, do fundo da sonoridade eletrónica até ganhar o seu espaço.  Uma canção que nos fala da fé, de esperança que nos mostra que os Bastille aprenderam a arte de criar temas com dinâmica e por camadas, o que dá aquele toque especial a este disco.

Power” continua a mostrar-nos em que é que Dan Smith se baseou para escrever este disco: a vida neste nosso “Wild World”. Um tema calmo mas energético que começa com um alguma guitarra, percussão e voz para depois brotar numa inundação de sons por camadas.

A explosão de riffs de guitarra tornam este tema mais harmonioso, e dão aquela “força” que este tema precisa, dão um impulso a Dan. Esta é quiçá a canção mais Pop Rock do álbum e enquadra-se com a restante coletânea e prepara-nos para o tema que se segue.

A sétima faixa de “Wild World”, “Two Evils“, com uma sonoridade sombria, misteriosa e algo sensual, temos Smith a brincar com a sua voz, a dar um toque mais dramático ao tema, a guitarra a embelezar e a harmonizar todo o ambiente. Esta é canção mais curta de todo o disco, mas não precisava de mais nem de menos tempo, tem a duração ideal para fazer sentir e traz uma sensação mais cinematográfica que complementa com a capa do álbum.

Send Them Off!” é cativante, com um uso e abuso de trombetas a dar aquele toque extra e diferente que combina com o refrão que é um dos mais imediatos do disco que nos fica logo na cabeça. Segue-se “Lethargy“, um tema animado, com um pré-refrão e versos muito semelhantes o que acaba até por ofuscar o refrão. Não é de todo a canção mais bem conseguida deste disco.

Com “Four Walls (The Ballad Of Perry Smith)” baixamos o ritmo. Inspirado por um dos temas do best-seller de 1966 de Truman Capote “In Cold Blood”, estamos perante uma espécie de balada eletrónica e, de novo, envolta numa atmosfera mais pesada e escura. Embora seja um tema repetitivo, as letras sinceras e os instrumentais interessantes compensam a repetição.

Blame“, a segunda faixa mais curta deste disco, cativante, direta, forte e intensa.que nos soa como a banda sonora de um filme desde o primeiro acorde. A mistura de sons é apelativa e o refrão está bem conseguido, prende-se à mente.

Já “Fake It” falta-lhe alguma força, alguma energia para acompanhar o restante disco, é algo desleixada. É uma canção que fala sobre quando algo têm um desfecho negativo e com a vontade de querer interiorizar que aquilo nunca aconteceu, o que leva a que muita gente se identifique com este tema em particular. Contudo, falta-lhe alguma força, alguma energia para acompanhar o restante disco.

A 13ª faixa, “Snakes“,  deste trabalho começa forte, e marca um retorno aos temas mais alegres (pelo menos sonoramente falando). Com boas vibrações que tem como tema central a luta constante com os seus problemas, que neste caso é a ansiedade de Dan Smith.

 “Winter of Our Youth”, fecha este novo ciclo de Bastille. Uma canção bastante mais simples, menos experimental,  onde o ritmo baixou como de o dia para a noite. Contudo, não é por ser uma canção menos complexa que deixa de ter mérito mas é mais uma ponta solta deste trabalho.

Na verdade, “Wild World” mostra-nos que Dan Smith deixou a mitologia e afins para se inspirar e decidiu pegar em caso práticos, em coisas da atualidade. Algumas faixas vão buscar frases de clássicos do cinema de ficção científica (“Send Them Off!” e “Good Grief”) como “O Exorcista” e “Othello”.  O resultado final? Foi bom. Em momento algum é perdido o cunho dos Bastille apesar de este registo ser diferente do anterior.

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