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“As Criadas”: Por vezes criadas, por vezes patroas, quem serve quem?

As Criadas
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A partir da obra de Jean Genet, com tradução inédita de Luísa Costa Gomes e encenação de Simão do Vale, “As Criadas” é uma peça cortante que recai no universo feminino que estará em cena de 13 a 22 de maio no Teatro Carlos Alberto (Porto).

Depois de Gertrude, em abril de 2013, nome da mãe de Hamlet, singular herói inventado por Shakespeare, o mesmo conjunto de criadores voltou a encontrar-se para se debruçar sobre As Criadas de Jean Genet, espetáculo que se estreia a 13 de maio, no Teatro Carlos Alberto. Com a encenação de Simão Do Vale, a trama volta a centrar-se em personagens femininos, desta vez num ambiente intimista, quase secreto de um quarto. Aqui já não se ouve a potência metafórica de Shakespeare, mas a simples crueza das palavras de Jean Genet, autor de uma escrita que fere não apenas a normalidade social, mas também a normalidade literária e dramática.

Fotografia de Ensaio_As Criadas 2 ©Diana Lopes

A peça conta a história de duas criadas que são também irmãs, Clara e Solange (Joana Africano e Teresa Arcanjo, respetivamente), que envoltas numa espiral de fantasia e rituais de “faz-de-conta”, em que a primeira se assume como a Senhora e a segunda como criada, congeminam o homicídio da sua patroa. Estes jogos de poder e submissão, alimentados quer por ódio oculto, quer por amor e admiração declarada pela patroa, imergem o espectador numa rede complexa de emoções, um pouco difusa e violenta, relacionada, desde logo, com rancores fundados na relação entre as irmãs. Por sua vez, a Senhora, interpretada por Cristina Carvalhal, vive em agonia e auto-martiriza-se pelo facto de o marido estar preso injustamente, estando disposta aos maiores sacrifícios em virtude do amor.

O espetáculo parte da tradução inédita que Luísa Costa Gomes fez da primeira versão da peça, desconhecida dos nossos palcos – aquela que Genet escreveu (condensando num único ato uma versão original perdida) antes das modificações que lhe seriam impostas e que dariam origem à versão corrente da peça. Simão Do Vale é claro sobre o resultado final: “Este espetáculo é sobre as tentativas de nos libertarmos da clausura através da imaginação. Esse bicho pecaminoso que vive alegremente dentro das nossas cabeças”.

A peça As Criadas resulta de uma coprodução Subcutâneo e Teatro Nacional São João. O espetáculo está em cena até 22 de maio: quarta-feira, às 19h00, de quinta-feira a sábado, às 21h00, e aos domingos, às 16h00. O preço dos bilhetes é de 10 euros.

(Fotografias: Diana Lopes | Todos os direitos reservados)

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