De 30 de abril a 15 de maio teve lugar no Bairro Padre Cruz, na freguesia de Carnide, o MURO, festival de arte urbana levado a cabo pela Galeria de Arte Urbana (GAU) – Departamento de Património Cultural da Câmara Municipal de Lisboa.

Apesar do mau tempo ter estragado alguns dos planos dos artistas convidados a participar, nem por isso o ânimo e a criatividade num bairro que fica ali mesmo “à boca” de Lisboa e que é local de passagem para muitas das pessoas que se deslocam para a cidade. Agora é possível deliciar-nos com algumas peças nos prédios do bairro – e se quisermos fazer uma caminhada pelas ruas menos centrais, também aí encontramos obras únicas, de artistas como Draw,  Tamara Alves e Bordalo II.

Visitámos o festival em dias diferentes, de forma a acompanhar o work in progress dos artistas e a integração daquele no dia-a-dia do bairro.  Numa das visitas, Mr Dheo trabalhava ainda, em cima da grua, na sua peça, numa fachada junto à Rua Professor Almeida Lima. No lado oposto Telmo & Miel desenhavam uma das peças mais encantadoras, gigantes  e ternurentas de todo o festival.

O projecto Lata 65 promoveu um workshop orientado pela Lara Seixo Rodrigues e cujo resultado final também pode ser visitado na Rua do Rio Douro. É no interior do bairro que corremos o risco de nos distrair e de não ver todas as obras que por lá habitam e fazem companhia aos moradores do bairro.  Mário Belém deixa-nos uma obra e uma mensagem muito clara: “sonha mais alto”, numa das peças que mais colorido dá ao bairro. Bordalo II é igual a si próprio – entenda-se, surpreendente e original. É indiscutível a sua forma única de trabalhar aquilo que para o comum dos mortais é lixo, não tem qualquer utilidade e que o artista conseguiu transformar, neste festival, num porco de expressão fofa. Sim, um porco fofo e irresistível, feito a partir de lixo.

Também houve lugar a intervenções em alguns vidrões com a presença da artista Isa Silva e das suas SquareFaces. Em vários pontos do bairro é possível encontrar a mensagem de  ± : aplausos.

Akacorleone, André da Loba, Add Fuel, The Empty Belly, Edis One, Ram, Mar, Robert Panda, Uber, Violant, Slap, Raf, The Super Van, Alex Alonso, Nomen, Zé Carvalho, Tinta Crua, Eime e Leonor Brilha – bem como os artistas que já referimos anteriormente deram cor e vida ao Bairro Padre Cruz. Contámos ainda com os artistas estrangeiros Pantone, Borondo, Low Bros, a dupla já referida Telmo & Miel e Mathieu Tremblin.  A curadoria do Festival esteve a cargo de VHILS, Pauline Foessel, Lara SeixoRodrigues, Miguel Negretti, Pariz One, Pedro Soares Neves, Ana Vilar Brave e a própria GAU.

Por entre os estendais de roupa de todos os dias é possível contemplar a obra destes artistas que fazem da rua, das paredes dos prédios e das casas, dos muros, as suas telas. O bairro ganhou cor, ganhou vida que vai além das semanas durante as quais o MURO aconteceu.

“Entra com respeito e serás respeitado” – pode ler-se na obra de Carlos Raimundo, um artista do bairro e que inaugurou o festival a 30 de Abril. Entrem – com respeito e com tempo para caminhar pelas ruas e ruelas e com vontade de conhecer, bem de perto, os habitantes do bairro que tão orgulhosamente receberam os artistas e as suas obras nas paredes da sua casa.

Fotografias: Joana Rita

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