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Ana Moura: Guimarães foi o motor de arranque de “Moura”

Ana Moura
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Ana Moura fez a primeira apresentação de “Moura”, o seu sexto disco, este sábado no Pavilhão Multiusos de Guimarães. A artista portuguesa, elevou o fado a um outro patamar que encantou todos os fãs pela forma surpreendente de como o faz.

Assim que se entrava na sala do Multiusos de Guimarães a curiosidade era algo que nos assaltava a mente de imediato. O palco desta casa estava transformado numa espécie de nave semi aberta, com umas formas retangulares. Ao fundo, podia-se ler “Moura”, nome do novo álbum da fadista.

Cerca de três quartos de hora depois das nove da noite, esta nave começou-se a abrir e foi-nos permitindo ver a entrada de alguns músicos assim como a sua preparação para o que aí vinha. Com as “portas” completamente abertas, ouvem-se os primeiros acordes ao mesmo tempo que se vê uma sombra ao fundo: Ana Moura estava a entrar em palco para dar inicio ao espetáculo com “Moura Encantada” que teve uma receção bastante aplaudida.

“És linda” e o tradicional “Ah fadista”, puderam-se ouvir ainda mal tinha acabado a canção. Ouviu-se “Ai Eu” e Ana Moura exprime a gratidão e a alegria de dar início a esta digressão na cidade-berço da nação.

Estávamos ainda muito no início do espetáculo e verdade, mas ainda havia uma outra pessoa a entrar e a procurar o seu lugar, ainda que zangadas com o relógio por terem perdido um pouco deste que foi um grande concerto. Seguiu-se  “O meu amor foi para o Brasil” e a garra com que Ana Moura canta, a forma como sente cada palavra que profere cantando, tocava-nos a todos de tal forma que era impossível tirar os olhos do palco.

A canção que se seguia fora escrita por Miguel Araújo e a fadista explicou que no século XIX o fado era dançado e então presenteou-nos com “Fado Dançado“.

Agora estava na hora de ensaiar com o público o refrão de um tema bastante conhecido: “Os Búzios“. “Querem cantar comigo? Estão afinadinhos?” Com aplausos ao compasso da canção, esta atuação terminou com “Vou-te mudar a sorte” num coro exemplar, que deu ao público o galhardete de “Ah fadistas” por parte da cantora.

Fado Alado“, um tema forte deste último trabalho, que antecedeu “Hoje Tudo é Triste em Mim“. Na verdade era para ser tocada e cantada “Ninharia” mas, depois de uma “luta” renhida com o guitarrista Ângelo Freire, Ana Moura conseguiu trocar o alinhamento e com uma expressão de felicidade diz-nos “Ganhei!”. Ganhámos todos. Este é um tema repleto de emoção, com uma esplêndida introdução à guitarra portuguesa e tão incomodamente boa ao ponto da própria fadista ter falhado a entrada na canção. Ana Moura admitiu humildemente ter falhado mas os fãs não se importaram. Não havia problema, nós não estávamos com pressa e além do mais, com as emoções à flor da pele era totalmente compreensível.

Para terminar um primeiro momento deste concerto, ouviu-se “Porque Teimas Nesta Dor” e Ana Moura sai do palco e os protagonistas são os guitarristas que nos oferecem durante alguns minutos uma boa guitarrada. Músicos de excelência, com uma habilidade nas mãos para abraçar as guitarras, deliciam-nos, comovem-nos. “Ah guitarrista!”, mesmo!

Os restantes membros da banda retomam ao palco e Ana Moura está também de volta, com outro vestido igualmente belo. “Tens os olhos de Deus“, o segundo single extraído de Moura, escrito por Pedro Abunhosa, foi o tema que se seguiu. A forte e potente voz da cantora, um cenário simplista que teve como fundo o videoclip desta canção, a presença em palco, o jogo de luzes, foi o suficiente para que um outro fã se deixasse levar e deitar uma lágrima.

Seguiu-se “Desamparo” e “Moura” onde a guitarra portuguesa assumiu o papel principal. Sim, Ana Moura é assim: é a estrela mas faz questão que os músicos que a acompanham sejam também as estrelas da noite. Neste último tema havia sido declarada “guerra aberta” entre a guitarra portuguesa e a elétrica. Qual a vencedora? Ambas!

Estava na hora de animar a noite mais um pouco e ouve-se “Agora é que é“, onde o público ficou incumbido de acompanhar com palmas, e “Valentim“, um tema que cantou com Bonga a propósito do documentário de Rúben Alves: “Amália: As Vozes do Fado”.

Se até então o espetáculo estava surpreender a plateia pelo seu registo diferente daquilo que é uma noite de fados, agora é que o pavilhão ficou mais ou menos de queixo caído. Mário Costa deu início a “Bailinhos à Portuguesa” com um solo de bateria estonteante! Pois é! Estamos numa noite de fado, onde muitos levaram os seus casaquinhos de peles, o salto alto, a maquilhagem, e o cabelo todo arranjadinho e afinal estava a ser tudo menos tradicional. Estava a ser uma noite de “Ana Moura”.

Dia de Folga“, o primeiro single de “Moura” fechou a primeira parte da noite. O público, dos 8 aos 80 (literalmente) aplaudiu, gritou e queria mais, ainda que não estando habituados a isto do sai e entra no palco.

Para  encore ficaram guardados os temas “Loucura” e o tão famoso “Desfado“. Na bancada frontal havia um senhor chateado com Ana Moura. Na verdade, este senhor de Marco de Canaveses levou o concerto inteiro a pedir “Desfado”, numa resmunguice consigo próprio e com a esposa que uma vez por outra ora soltava uma gargalhada ora um “ralhete” ao marido. Como que se de telepatia se tivesse tratado, assim que soam os primeiros acordes de “Desfado”, o senhor não conseguiu guardar tanta emoção! “Ah porra, agora sim! Ela ouviu-me!”.

Não sei se ouviu ou não, a verdade é que ninguém saiu do Pavilhão Multiusos de Guimarães desiludido seja com o que fosse. Foi um espetáculo de alto nível, uma noite de fado pouco tradicional mas que nos encantou e nos faz ficar com o bichinho que querer ver mais e mais.

É impossível ficar indiferente ao fado de Ana Moura, não cantasse e encantasse com a alma humilde e generosa que lhe é tão características.

 

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