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“Aero-vederci Baby!!!”: O “beijo de despedida” dos Aerosmith na MEO Arena

Aerosmith
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Dezoito anos depois os Aerosmith voltaram a terras lusas para este que será (supostamente) o “beijo de despedida” da banda. Esta segunda-feira a MEO Arena estava a rebentar pelas costuras mas a Janie ficou de fora.

Para muitos, as expetativas desta noite não estavam muito altas, outros tinham-nas bem lá em cima e depois haviam aqueles que conheciam uma meia dúzia (se tanto) e vieram ate à MEO Arena para assistir àquele que será o último espetáculo dos Aerosmith em Portugal.

O início estava marcado para as 21h45 e, depois de um excelente aquecimento proporcionado pelos Raveneye – que vieram apresentar o seu novo disco, “Nova” -, os corações estavam a mil e a ansiedade a aumentar. Faltavam mesmo poucos minutos para bater as dez da noite quando se ouve “O Fortuna” de Carl Orff como banda sonora para um espetáculo multimédia que resume, em poucos minutos, quase meio século de carreira da banda de Boston.

É claro que nesta altura o público já estava em alta, aos gritos e aplausos mas foi assim que Steven Tyler, Tom Hamilton, Joey Kramer, Joe Perry, Brad Whitford e Buck Johnson – que foi contratado pela banda para esta digressão – subiram ao palco e deram início ao concerto com “Let the Music Do the Talking”, e que se começaram a dar as verdadeiras explosões de energia. Steven, com a marca de batom na cara de um beijo, e Joe, de óculos de sol, desfilaram pela extensão do palco e, com os cabelos ao vento (graças a uma ventoinha colocada estrategicamente mesmo no final deste corredor central), no final deste tema de 1985 atiram-nos com um “Olá Lisboa”.

Seguiu-se “Nine Lives”, “Rag Doll” e já estávamos todos “Livin’ on the Edge” onde fogo inundava as imagens que passavam no ecrã colocado mesmo no fundo do palco, adornadas de quando em quando com umas imagens de arvoredos. Se nas primeiras canções o público ainda estava energético mas meio morno, foi com esta última que se deu o verdadeiro “boom” mas mais ainda estava para vir.

A cumplicidade entre Steven e Joe é notória, bastante afamada e mostraram-nos isso de bandeja em “Love in an Elevator”, um tema de 1989 mas que continua a resgatar corações roqueiros por onde passa. Assim que soa o grito inicial desta canção, as luzes do palco acendem-se todas, tão fortes quase ao ponto de não nos deixar transparecer Steven que está ali algures pelo corredor central. Havia quem comentasse que não conhecia esta canção. Um descuido (grave!), uma distração, ou apenas mais um daqueles fãs que se apaixona apenas pelo que ouve nas rádios.

Tyler deita-se no chão, rebola entre solos de guitarra, suores quentes que lhe escorrem pelo corpo e por nós todos. Dois dias em minha casa e nunca mais tinha que pagar a conta à EDP porque estes senhores são uns verdadeiros acumuladores de energia.

Todos brilham quanto os nossos olhos com as suas prestações de canção para canção mas foi em “Falling in Love (Is Hard on the Knees)” que Perry consegue brilhar mais que o sol enquanto nos dá um solo, canta, ao mesmo tempo que Tyler nos mostra os seus dotes com a harmónica. Irrepreensíveis foram também as interpretações de “Stop Messin’ Around” e “Oh Well”, dois originais do anglo-americano Fleetwood Mac.

As emoções estavam no alto, o público extasiado mas lá em cima do palco não haviam grandes sinais de cansaço. Contudo, e porque os temas que se seguiam assim o pediam, em “Hangman Jury” – com Steven a tocar maraca e búzio num dueto exímio com Perry – e “Seasons of Winter” sentaram-se e fizeram as delícias dos presentes.

Chegou a vez de Tom Hamilton desfilar pelo corredor central e dar-nos com um solo de baixo numa espécie de introdução de “Sweet Emotion”. A MEO Arena cantou numa só voz o refrão e acompanhou bem a banda quer nas vozes quer na energia.

Seguiu-se um pequeno momento de pausa pedido por Steven para dar uns ajustes nos auscultadores, onde os músicos navegam pelo desconhecido de um improviso misturado com “Boogie Man”. Isto para depois Tyler perguntar se alguém tinha um chapéu. Já sabem o que aí vem, certo? Nós também sabíamos e era um dos momentos mais esperados da noite desta segunda-feira: “I Don’t Want to Miss a Thing”, tema que é parte integrante do icónico filme “Armageddon” protagonizado própria filha do vocalista, Liv Tyler. Continuamos na sala de cinema com “Come Together”, um original dos The Beatles, com Joe Perry e Steven Tyler num harmonioso dueto.

Neste ponto, e fazendo uma retrospetiva de tudo o que se havia passado e ouvido aqui, não havia nada que disséssemos que era igual aos CD’s, vinis e afins, nada disso. Umas mais extensas, outras aceleradas mas em “Eat the Rich” o frontman dos Aerosmith fez questão de terminar com um verdadeiro rugido de leão, que é como quem diz: um arroto, tal e qual como na gravação. Todos se riem para depois “chorarem”. Ou seja, o tema que se seguia no alinhamento era a velhinha “Cryin'” que meteu pais, filhos, amigos, conhecidos, companheiros, todos os que populavam a MEO Arena a cantar sem falhar um único verso. Bonito? Fantástico.

O espetáculo estava na reta final e a despedida para o encore foi feita com “Dude (Looks Like a Lady)”, de 1987, com Joe Perry e Steven Tyler mesmo em frente à ventoinha a esvoaçarem e para se começarem a despedir de nós assim bem pertinho.

A banda saiu de cena e nesta pequena pausa montou-se um piano de cauda, branco, com alguns sinais de idade – quem é que naquele palco não tinha? – e tornam todos àqueles que são os seus lugares por direito. “São lindos”, disse-nos Tyler na língua de Camões. Se o disseste bem? Mais do que bem. “Dream On” foi o primeiro tema que anunciou o final da noite onde Tyler sentado ao piano desarmou-nos sem dó nem piedade enquanto Perry se passeava por cima do tampo ao mesmo tempo que tocava guitarra.

Já houveram várias homenagens esta noite logo não podia faltar “Mother Popcorn”, um verdadeiro tributo a James Brown. Entre apresentações e aplausos, ouviu-se “Walk This Way” e pronto, acabou o espetáculo.

Os Aerosmith desfilaram alguns dos seus maiores êxitos mas conseguiram deixar de fora “Crazy” e “Janie’s Got a Gun” para infelicidade de muitos. Contudo, não se pode considerar uma espécie de erro grave, uma falha. Porquê? Porque durante duas horas deram o melhor de si, fizeram com que déssemos o melhor de nós e tudo ao som do melhor Rock and Roll que ainda aí anda.

Os “bad boys” de Boston vieram a Portugal, novamente, provar porque é que, ao fim de quase 50 anos de carreira, ainda são considerados uma das melhores bandas de Rock and Roll. “Aero-vederci Baby!!!”? Esperemos que não, afinal de contas não têm nove vidas?


Texto: Mónica Ferreira
Fotografia: Alexandre Antunes | Everything is New

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